Dânia Rodrigues

Conta quem a conhece bem que, quando perguntavam à pequena Dânia o que queria fazer quando fosse grande, ela respondia: “Quero viajar por todos os países do mundo e descobrir os segredos que estão no fundo do mar”. O desejo de aventura corria-lhe no sangue. O seu pai, que cegara completamente na Índia em tenra idade, percorrera as mais remotas regiões do planeta, viajando quase sempre sem dinheiro – mas com um sorriso e um sentido de humor desarmantes. Foi quando ele a levou a primeira vez a visitar as suas origens, em Goa, que a paixão pela Índia iniciou. As explorações em família continuaram por Cabo Verde, Brasil e Moçambique, onde o seu pai fundara a única escola para invisuais em todo o país.
Já em idade adulta, a sua paixão por civilizações antigas levou-a a tirar uma Licenciatura em Arqueologia. Mas por mais fascinantes que fossem as histórias que as pedras lhe contavam, compreendeu que as histórias que viviam dentro dos olhares das pessoas a tocavam num canto mais profundo do seu ser. Embarcou então num Mestrado em Antropologia Cultural em Turim, que concluiu com uma tese e uma pesquisa de campo sobre o genocídio dos Khmer Rouge no Cambodja. A obsessão em tentar desvendar as facetas mais incompreensíveis e intrigantes do género humano pontuou o seu percurso desde então. Por isso se aventurou em explorações indomitas à procura dos últimos cortadores de cabeças nas florestas entre o Myanmar e a Índia; entrevistou os naga saddhus, os mais extremos ascetas no Kumbha Mela, o maior festival religioso do mundo; e propôs artigos sobre os mais inusitados temas para a publicação americana Atlas Obscura, para a qual acabou por leccionar um curso sobre a História da Morte.
Em 2015 partiu de mochila às costas com o seu companheiro para uma viagem pela Ásia e Oceânia que acabou por se prolongar até hoje – nos últimos anos acompanhada também pela sua pequena filha. Cedo descobriu que o voluntariado consciente, para além do impacto positivo nas comunidades, proporcionava experiências inigualáveis, e estabelecia laços incomparáveis com as pessoas. Ajudou a reconstruir uma escola no Nepal, ensinou num mosteiro budista no Myanmar, envolveu-se em projectos de reflorestação no Bornéu, ocupou-se de tartarugas feridas na Austrália… E foi na Austrália que o seu empenho pelos oceanos começou. Teve a oportunidade de trabalhar como fotógrafa subaquática na Grande Barreira Coralina, e a partir daí continuou a realizar o seu sonho de menina, fotografando as belezas marinhas nas profundezas da Indonesia, Malta e Croácia.
Em 2018 começou a trabalhar como líder de viagem na zona da Indochina, e percebeu o quão se sentia realizada cada vez que via o brilho dos olhos dos seus viajantes. Compreendeu como a antropologia e a sua experiência de viagem lhe tinham fornecido ferramentas que a podiam auxiliar a navegar com os seus viajantes pelos aspectos mais fascinantes e contraditórios das culturas que tanto admira. Percebeu como um turismo responsável pode oferecer uma alternativa digna e viável às comunidades locais; pode ajudá-las a valorizar e preservar os seus traços culturais mais genuínos, e a sua ligação à Natureza; pode capacita-las a desenvolver-se de formas mais sustentáveis; e sobretudo pode promover a empatia entre seres humanos, através de momentos simples e transformadores.

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