Filipa Chatillon

A Filipa viaja em busca da literacia conseguida pelo folhear das páginas do mundo.

As grandes viagens começam tarde, mas em grande. Aos 28 anos, quando já trabalhava como médica dentista, pede uma licença sem vencimento para fazer um projecto de voluntariado de três meses, na Argentina. Três meses passaram a nove, com mais três América do Sul acima, só voltou a casa um ano depois e a experiência virou convicção. A medicina dentária ainda teve o seu lugar um par de anos mais, mas as viagens e o voluntariado passaram a fazer parte da sua vida. Foi também nesta altura que o apelo de usar a escrita como forma de transmitir as emoções e conhecimento da estrada, falou mais alto. Desde então, partilha os seus textos no blog  Contos Alfacinhas e artigos em revistas de viagem.

Nesses anos mistos de dentista e viajante, esteve em São Tomé, num projecto de voluntariado da ONG Mundo a Sorrir, explorou o Sri Lanka, percorreu as ilhas da Croácia, fez o troço final do Caminho de Santiago, perdeu noção do tempo nas livrarias de São Francisco, conduziu um Hindustan Ambassador pelo sul da Índia e fez várias visitas a amigos pela Europa fora. Em 2015 deixa a medicina dentária de vez e parte para mais um ano na América do Sul, desta feita com o objectivo de conhecer e ajudar em comunidades internacionais dedicadas à regeneração, permacultura e conservação. Passou pela Colômbia, Equador e Panamá, com muitas aprendizagens, desilusões e alegrias. As experiências de voluntariado e trocas nas diferentes culturas, a par com as viagens mais “tradicionais” mostraram-lhe as apaixonantes semelhanças e idiossincrasias do ser humano e o desafio que é viver em comunidade. Em cada viagem voltou com a convicção renovada de que se sente a sua melhor versão quando se entrega à descoberta.

É também nessa altura que começa a trabalhar como líder de viagens, na Colômbia, acrescentando vários destinos nos anos seguintes. Percebeu que tira um enorme prazer em desenhar viagens e proporcionar experiências enriquecedoras a quem está disposto a também folhear as páginas do mundo com curiosidade e empatia. Nos últimos dez anos, acompanhou centenas de pessoas a descobrir os seus destinos do coração e sente uma responsabilidade imensa em que essa seja uma troca de experiências responsável, sustentável e benéfica para viajantes e as comunidades locais que os recebem.

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