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Jorge Vassallo

Conta a lenda que havia um mapa-mundo com uma dúzia de alfinetes espetados, em casa dos avós do Jorge, mesmo por cima de umas prateleiras carregadas de revistas de lombada amarela – e que foi nessa casa que a sua curiosidade pelo mundo começou a ganhar forma. A isto juntaram-se as histórias de Goa contadas pelo bisavô, mais os livros da Enid Blyton e os filmes do Indiana Jones, os puzzles com castelos bávaros e monumentos longínquos… e os passeios de Vespa ao Cabo da Roca e à concentração de Faro, com o pai.

Esse bichinho de ir passou a monstro quando, aos 18 anos, o Jorge lançou-se finalmente no seu primeiro inter-rail. Nunca mais parou: primeiro, nesse registo sobre carris, pela Europa fora; e depois de umas primeiras incursões na Ásia, já com o curso de Marketing e Publicidade terminado (e quando o destino achava que estava lançado numa carreira de sucesso na área), eis que o Jorge deixou tudo para trás e lançou-se numa volta ao mundo que acabou por não ser uma volta ao mundo – mas que foi uma volta a si próprio e à sua maneira de ver, sentir e imaginar o mundo.

Apaixonou-se pela Ásia, em geral – e pela Índia, em particular, onde já passou quase quatro anos da sua vida, ao todo, entre várias idas e vindas.

Em 2004 começou a partilhar as suas crónicas de viagem, peripécias, insólitos, pensamentos e fotografias no blog “fuidarumavolta”, que ainda hoje mantém, juntamente com uma página de facebook e um perfil no instagram.

Em 2008 pediu emprestada a bicicleta da irmã e foi, com um amigo, calmamente pedalando até Dakar. Tinham 1000 euros no bolso, cada um, e uma vontade indomável de viver uma grande aventura. A viagem foi de tal forma inesquecível que escreveram o primeiro livro de ambos. E foi no rescaldo desta empreitada que começou a partilhar a paixão pelas viagens com grupos de viajantes. Em uma década e meia, já perdeu a conta ao número de pessoas que liderou em viagens pela Indochina, Myanmar, Transiberiano, Turquia, Índia, Filipinas, Indonésia e México – e, talvez surpreendentemente, diz que ainda sente o mesmo entusiasmo e curiosidade pela Viagem do que naquela tarde em que arrancou de Santa Apolónia, no Sud Express, para o seu primeiro inter-rail.

O Jorge publicou meia dúzia de livros, entretanto. Além do referido “Até onde vais com 1000 euros?”, escreveu uma colecção de histórias e peripécias no Sudeste Asiático, baseada em dezenas de viagens feitas pelo Vietname, Camboja e Laos, chamada “Indochina”. Tem também uma trilogia que reúne as melhores aventuras que viveu na Índia, “esse planeta à parte onde não há pontos finais, só pontos de exclamação” – com destaque para a viagem épica de 5000km em cima de uma Vespa, em que atravessou o subcontinente de uma ponta à outra. O livro tem o título “De Vespa na Índia” e é o primeiro dessa trilogia chamada “Tudo é Possível!”.

Seja através dos seus livros ou das fotografias e crónicas nas redes sociais, dos jantares temáticos que organiza, de palestras e tertúlias, ou durante as viagens que temos para si no cardápio dos Trilhos da Terra, o Jorge é, acima de tudo, um incansável contador de histórias.

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