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Tânia Muxima

A Tânia nasceu em Angola, viveu no Brasil, mas é à Figueira da Foz que gosta de chamar casa, lugar onde mora desde os 6 anos. Considera a Figueira da Foz uma cidade incrível para crescer e por isso o gosto pelas viagens começou apenas mais tarde. ‘Eu antes queria apanhar ondas e andar de bicicleta com os meus amigos e achava que tinha tudo isso na Figueira’. Mas foi precisamente o Bodyboard que a fez começar a viajar, com os amigos, em busca de ondas perfeitas. Essas viagens despoletaram uma curiosidade em conhecer os lugares, os seus povos, as suas comidas, os seus cheiros. Nestes últimos 20 anos tem passado muito tempo a viajar, principalmente de bicicleta, a pé ou simplesmente como backpacker. 

Das viagens que mais marcas lhe deixaram, Tânia, uma viajante intrépida fala-nos, com um brilho nos olhos, do voluntariado que fez num orfanato no Nepal, ou quando decidiu chegar ao campo base do Evereste pelos seus próprios meios, saindo de Kathmandu de bicicleta, alcançando o destino a caminhar.

É a vastidão da África que ocupa uma grande parte do seu coração, considera não apenas uma viagem, mas um modo de vida de nómada itinerante, África abaixo, com a sua bicicleta. Diz-nos que África é o lugar com as gentes mais incríveis com quem já teve a sorte de se cruzar. Ali tudo é especial. De bicicleta  desceu a Etiópia e mergulhou numa jornada épica onde atravessou o Quénia, passou no Uganda e depois explorou Ruanda. Cruzou o remoto interior da Tanzânia até chegar ao Malawi. De lá, continuou seu percurso pedalando pelos deslumbrantes cenários da Zâmbia, Zimbabué e Botswana. Meses a fio na estrada, sempre acompanhada da sua fiel bicicleta. Mais tarde, decidiu partir de bicicleta da sua terra natal, Angola, cruzando a Namíbia pelo deserto do Namibe, uma das regiões mais inóspitas e incríveis que já percorreu, culminando esta incrível jornada na cosmopolita Cidade do Cabo, na África do Sul.

Ainda de bicicleta a sua jornada asiática começou na Malásia, com a prancha de Bodyboard encaixada na bicicleta, tendo como objetivo surfar as mais perfeitas ondas em Sumatra. De Malaca, cruzou para Sumatra e pedalou pelo centro da ilha, explorando a selva até alcançar Banda Aceh, no norte da ilha. O périplo até Jakarta foi uma constante exploração de ondas ao longo da costa e dos belos arquipélagos das Telo, Mentawai, Banyak e Nias. Voando de Jakarta para a Tailândia, continuou a sua viagem pelo país sobre duas rodas.

Na Ásia Central iniciou a sua aventura no Cazaquistão, onde explorou as remotas montanhas e cruzou apenas os nómadas que ali habitam. Atravessou para o Quirguistão, onde teve o privilégio de percorrer as majestosas montanhas de Tien Shan. Daí, seguiu para o Uzbequistão e, ainda na Ásia,  deu a volta ao Irão.

Uma jornada épica pela América do Sul que começou em Lima, no Peru. De lá, pedalou até Cusco e atravessou o Altiplano Andino. O ponto alto dessa aventura foi atravessar o Salar de Uyuni e acampar no meio dessa paisagem surreal. Ao entrar na Argentina, percorreu quilómetros na lendária Ruta 40 e, a meio do pais, seguiu o caminho popular pela Patagônia, entre a Argentina e o Chile, pedalando pela incrível Carretera Austral, a estrada mais austral do mundo. Continuou pedalando até tocar na cidade conhecida como “o Fim do Mundo”, Ushuaia. As Torres Del Paine e a região de El Chaltén deixaram um desejo de voltar para explorar mais.

Ainda por este continente, explorou  a Guatemala, Belize e uma parte do México, de bicicleta.

Em modo Backpacker com o intuito de surfar andou 8 meses pela Nicarágua, conhecendo a cultura e desbravando as suas conhecidas ondas. Numa outra viagem foi para o outro lado do mundo, vivendo um espírito de aventura à procura de ondas perfeitas pela Austrália, Nova Zelândia, Tonga e Filipinas.

Tendo muitas mais aventuras a solo nas pernas, não podíamos não mencionar a épica volta invernal à Islândia que realizou já por duas vezes, uma vez em trotinete à força do pé, e outra de bicicleta. Cada capítulo duma narrativa de viagem sua é uma aventura ousada, um testemunho da sua paixão pelo desconhecido e um convite para nos perdermos nos caminhos extraordinários que ela já percorreu.

A Tânia é uma apaixonada por paisagens e lugares remotos. Embora tenha crescido no mar tem uma paixão inexplicável pela montanha, diz que o silêncio das montanhas não encontra em mais lado nenhum. Talvez derivado desse gosto pelas montanhas,  trabalha também, durante 3 meses no Verão, num refúgio plantado nos Alpes Suíços , lugar que gosta de chamar a sua segunda casa.

Tem como objectivo atravessar a pé ou de bicicleta o maior número de lugares bonitos possível mas muitas das vezes tem repetido lugares porque acredita que uma passagem só por vezes não chega. “Muitas vezes deixo lá amigos ou coisas por fazer e tenho vontade de voltar”.

Para ela, as viagens causam em nós um impacto enorme, ‘através das viagens aprendemos a adaptarmo-nos a diferentes situações, a minimizar e a simplificar’ e é isso que a motiva a ser líder de viagem, poder mostrar às pessoas a forma como vê e vive o mundo e os lugares. 

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