Descrição
ROTEIRO DE VIAGEM
A aterragem em Buenos Aires marca o início desta travessia pelo extremo sul do continente. O acolhimento faz-se no Aeroporto de Ezeiza, seguido de um transfer privado que conduz ao hotel. A tarde é dedicada ao primeiro contacto com a cidade, caminhando pelos bairros elegantes de Recoleta e Barrio Parque, onde as ruas arborizadas e os edifícios de traça aristocrática revelam a Buenos Aires mais clássica. Um início suave e ao teu ritmo, pensado para sentir o pulso da capital argentina antes do salto para o sul.
Alimentação: –
Dormida: Hotel
A manhã leva à descoberta da Buenos Aires mais antiga. San Telmo abre-se com as suas ruas gastas, os mercados, os cafés de portas sempre entreabertas e uma atmosfera onde o passado não desapareceu: apenas repousa nos cantos. A Plaza de Mayo, com os seus edifícios monumentais, recorda a história política do país, enquanto La Boca explode em cor e vida, herdada dos primeiros imigrantes italianos que transformaram o bairro num cenário vibrante.
À noite, a cidade troca de pele. Primeiro, uma aula de tango conduz ao essencial da dança — a entrega ao ritmo, a escuta do corpo do outro, a cadência que nasce tanto da rua como da poesia. Depois, a entrada numa milonga abre a porta a um ritual portenho íntimo, autêntico, onde os locais dançam não para mostrar, mas para sentir. Um encontro real com a alma cultural de Buenos Aires.
Alimentação: Pequeno-almoço
Dormida: Hotel
O voo para El Calafate afasta lentamente o viajante da vastidão urbana e aproxima-o do território onde o vento dita as regras. Uma vez no sul, o transfer conduz até El Chaltén, a aldeia montanhosa que repousa sob a sombra imponente do Fitz Roy. A estrada serpenteia pela estepe patagónica, revelando lagos de azul impossível, planícies infinitas e picos de neve que parecem erguer-se directamente do horizonte. A chegada a El Chaltén é sempre especial: aqui, a natureza não circunda a aldeia — envolve-a. O resto do dia fica livre para absorver o ambiente e começar a respirar o ar fresco da montanha.
Alimentação: Pequeno-almoço
Dormida: Hosteria
Um dos grandes momentos desta travessia. A caminhada para a Laguna de los Tres nasce suave, atravessando bosques de lenga, vales frios, riachos claros. Os miradouros vão surgindo como pequenas recompensas, revelando progressivamente o Fitz Roy em todo o seu esplendor. A secção final é exigente, uma subida íngreme sobre terreno rochoso que pede determinação e passo constante. Porém, quem não quiser completar a ascensão até ao topo pode permanecer no miradouro anterior, onde a paisagem já se abre de forma arrebatadora. No cume, a lagoa turquesa repousa como joia de altitude, protegida por paredes de granito. Um cenário que muda a escala interior de quem o contempla.
Alimentação: Pequeno-almoço
Dormida: Hosteria
A Reserva Los Huemules oferece um dia mais suave, mas não menos belo. O percurso atravessa bosques densos, trilhos bem marcados e vistas que se revelam a cada curva. Para quem procura tranquilidade, as caminhadas mais curtas — como as que conduzem à Laguna Azul ou ao Vale do Río Eléctrico — permitem caminhar ao ritmo da respiração. Para quem prefere um pouco mais de desafio, a subida à Loma del Diablo reserva panorâmicas amplas. É uma manhã longa ou uma tarde dedicada à contemplação, com tempo para escutar o som da floresta e observar a luz a mudar sobre as montanhas.
Alimentação: Pequeno-almoço
Dormida: Hosteria
A despedida de El Chaltén faz-se pela mesma estrada panorâmica que revela o Lago Viedma em todo o seu brilho glacial. Chegada a El Calafate, tempo livre para explorar ou simplesmente descansar. Ao final do dia, surge a possibilidade de um jantar caseiro em ambiente íntimo, preparado por um anfitrião local. A cozinha patagónica — reconfortante, generosa, genuína — mostra aqui o seu lado mais humano e familiar.
Alimentação: Pequeno-almoço
Dormida: Hosteria
A navegação pelo Lago Argentino conduz ao coração de um dos cenários mais impressionantes da Patagónia. As paragens em Bahía Toro e no Seno Mayo revelam florestas húmidas, quedas de água escondidas e desfiladeiros com paredes de rocha altíssimas. Caminha-se sobre terra macia, escutando a respiração da floresta. Mais à frente, surgem os glaciares suspensos do Cerro Mayo e Cerro Negro, fragmentos de gelo que parecem desafiar a gravidade. A jornada termina frente à face norte do Perito Moreno, onde o gelo crepita e se desprende em quedas que ressoam como trovões distantes.
Alimentação: Pequeno-almoço, almoço
Dormida: Hosteria
A travessia de autocarro desde El Calafate até Puerto Natales é pontuada por paisagens abertas, colinas suaves e o silêncio característico da Patagónia profunda. Após a passagem pela fronteira chilena, Puerto Natales surge à beira do fiorde Última Esperanza: uma pequena cidade tranquila, de casas coloridas e ambiente sereno. É um ponto de repouso antes de entrar no domínio de Torres del Paine.
Neste dia teremos passagem de fronteira, os eventuais custos de entrada e procedimentos de passagem são assegurados individualmente por cada viajante.
Alimentação: Pequeno-almoço
Dormida: Hostal
Um dia dedicado a descobrir vários pontos do Parque Nacional Torres del Paine, com caminhadas curtas por miradouros privilegiados, paisagens impressionantes e locais ideais para observar a biodiversidade da região.
Alimentação: Pequeno-almoço, Almoço
Dormida: Hostal
Este percurso menos conhecido oferece uma visão diferente do parque. A caminhada, acessível e de curta duração, percorre terreno onde os pumas costumam caçar e onde a estepe se estende até ao horizonte. A visita ao abrigo rochoso com pinturas rupestres de mais de seis mil anos recorda que antes dos viajantes modernos passaram por aqui grupos humanos que conheceram este território de forma íntima. Após a caminhada, o percurso completa-se com paragens em vales povoados por guanacos e aves de rapina. A noite é passada em Cerro Castillo, aldeia tranquila e remota.
Alimentação: Pequeno-almoço, Almoço
Dormida: Hotel
A manhã abre-se sobre a vastidão da estepe, onde o vento parece ser o único habitante permanente. A estrada conduz até à Estância El Ovejero, lugar onde a vida rural da Patagónia preserva ainda a sua autenticidade mais pura. Aqui, a paisagem não é apenas cenário: é condição de sobrevivência. As construções de madeira, gastas pelo clima, revelam décadas de trabalho silencioso. O cheiro da lã, o som distante dos cães de pastoreio e o ritmo pausado das ovelhas compõem um quadro que poucas regiões do mundo conservaram desta forma.
A demonstração de tosquia não surge como espetáculo, mas como gesto quotidiano. A técnica, herdada de gerações, mistura precisão, paciência e respeito pelo animal. Observa-se o processo com a sensação de estar a assistir a um ritual que faz parte da identidade profunda da Patagónia, onde o tempo é marcado pelo vento e pela persistência do trabalho humano. A refeição que se segue — cordeiro patagónico lentamente grelhado sobre brasas — é servida com a generosidade típica da gente do sul, onde o ato de receber é tão importante como o de partilhar.
Depois do almoço, a estrada retoma o seu caminho para sul. A paisagem parece expandir-se ainda mais, e o céu domina tudo. Ao aproximar-se de Punta Arenas, a luz torna-se metálica e o Estreito de Magalhães surge finalmente no horizonte. A cidade, moldada por ventos implacáveis e por séculos de navegação, acolhe o final do dia com uma sensação de chegada a um ponto de grande significado geográfico — e humano. Aqui, sente-se claramente que o mundo se curva em direção ao desconhecido.
Alimentação: Pequeno-almoço, Almoço
Dormida: Hotel
A manhã começa com a aproximação ao Terminal Tres Puentes, onde o ferry aguarda para atravessar o Estreito de Magalhães. Ao avançar sobre estas águas frias e inquietas, cresce uma sensação difícil de ignorar: viajamos por uma das passagens mais emblemáticas da história da exploração marítima. É impossível esquecer que este canal remoto foi revelado ao mundo por um português — Fernão de Magalhães — que aqui encontrou o corredor natural que unia oceanos e provas de que a Terra era maior do que as ideias da época conseguiam abarcar. Há um orgulho silencioso em percorrer o mesmo estreito quinhentos anos depois, não como navegadores, mas como portugueses que seguem, ainda que simbolicamente, o traço original dessa ousadia.
A travessia leva até Punta Delgada, já na Terra do Fogo chilena, onde a estrada se lança para sul entre paisagens áridas, varridas pelo vento e marcadas por uma beleza despojada. Uma breve paragem na Reserva Pingüino Rey oferece a oportunidade de observar estes animais imponentes no seu habitat natural — um encontro inesperado com a vida selvagem deste fim de mundo.
Mais à frente, a fronteira volta a abrir caminho até à Argentina, e a estrada serpenteia entre estepes amplas, bosques de lenga e montanhas cada vez mais presentes. Ao aproximar-se de Ushuaia, o cenário torna-se agreste e grandioso: vales glaciais, picos recortados e o brilho frio dos lagos que anunciam a proximidade da cidade mais austral do planeta.
A chegada ao entardecer tem algo de simbólico. Depois de glaciares, estepes e fiordes, este é o ponto onde a Patagónia parece tocar o fim do mapa. Uma etapa longa, mas carregada de significado histórico — sobretudo para quem, como portugueses, reconhece neste estreito um capítulo do génio humano que ousou avançar quando o mundo ainda era desconhecido.
Alimentação: Pequeno-almoço, Almoço
Dormida: Hotel
A viagem prossegue pela costa do Canal Beagle, onde o vento frio transporta o cheiro do mar e as árvores-bandeira se inclinam todas na mesma direção, como se respondessem a uma força invisível. A estrada estreita leva até Puerto Almanza, pequeno porto de pescadores onde o tempo parece deter-se e onde a vida se organiza em torno das marés.
É aqui que teremos a oportunidade única de embarcar num pequeno barco para navegar pelo mítico canal Beagle. Cerca de 30 minutos depois, aproximar-nos-emos da Ilha Martillo para vermos as colónias de pinguins-de-Magalhães e lobos marinhos que nela habitam.
Regressamos então a Puerto Almanza onde as casas são modestas, as embarcações repousam encostadas ao cascalho, e cada rosto carrega a marca do clima duro e da intimidade com o oceano.
É aqui que se encontra Diana, a única capitã mulher do Canal Beagle — figura de força tranquila e olhar atento, habituada a enfrentar os caprichos das águas austrais. A sua casa, simples e acolhedora, abre-se como se fosse a cozinha do mundo. A mesa é preparada com ingredientes que vêm diretamente do canal: centolla, peixes frescos, mariscos que carregam consigo o sabor mineral e puro destas latitudes.
A prova dos pratos faz-se devagar, quase em silêncio, como se o paladar quisesse acompanhar o ritmo lento das histórias que Diana partilha — histórias de pesca, de noites geladas, de neblina que esconde tudo e de amanheceres que compensam qualquer esforço. Esta refeição, tão íntima e verdadeira, não é apenas gastronomia; é pertença. É entrar num lar onde a vida se organiza ao redor do mar, num território onde cada gesto é condicionado pela geografia extrema.
Ao sair, a sensação é a de ter tocado uma das últimas e mais autênticas fronteiras culturais da Patagónia: um lugar onde a modernidade ainda não apagou a essência do modo de vida tradicional.
Alimentação: Pequeno-almoço, Almoço
Dormida: Hotel
Neste dia, o Parque Nacional Tierra del Fuego recebe com uma serenidade profunda, quase sagrada. A poucos quilómetros de Ushuaia, o parque parece existir fora do tempo: florestas subantárticas que rangem sob o vento, lagos glaciais onde a luz se fragmenta, trilhos que serpenteiam entre turfeiras antigas e pequenas enseadas onde o silêncio é total. Caminhar aqui é sentir o planeta no seu estado mais primitivo, onde nada foi domesticado e tudo permanece fiel ao que sempre foi.
O guia leva por caminhos que desvendam diferentes paisagens — bosques de lenga e ñire, vales moldados pelo gelo, miradouros que se abrem sobre o Canal Beagle. A fauna surge discretamente: raposas que observam à distância, pica-paus que batem nos troncos húmidos, aves endémicas que cruzam o ar frio. Há uma quietude que não pede explicação; basta ser ouvida.
Ao meio-dia, a refeição preparada na floresta torna o momento ainda mais íntimo. Comer rodeado de árvores retorcidas pelo vento, com o cheiro da lenha húmida e o murmúrio distante da água, faz recordar que a simplicidade é uma das formas mais puras de luxo. Aqui, até o silêncio sabe a algo: sabe a sul, a fronteira, a infinito.
A tarde continua ao ritmo tranquilo da natureza, permitindo absorver cada detalhe. O parque não se impõe — envolve. E ao final do dia, regressa-se a Ushuaia com a sensação de ter estado num lugar onde o mundo parece respirar de outra maneira.
Alimentação: Pequeno-almoço, Almoço
Dormida: Hotel
A manhã desponta calma sobre Ushuaia, trazendo consigo a sensação clara de que chegámos ao fim de uma travessia única. O caminho para o aeroporto acompanha uma paisagem que parece despedir-se também: o brilho do Canal Beagle, as montanhas irregulares, a floresta subantártica que resiste ao vento. Cada detalhe relembra tudo o que este sul extremo nos ofereceu.
Ao preparar a partida, percebe-se que esta experiência ultrapassa o simples ato de viajar. Permanecem os encontros humanos, as grandes paisagens geladas, o silêncio das florestas e o peso simbólico de ter cruzado terras que desafiam o tempo. A Patagónia deixa uma marca que não se esgota na memória — instala-se como clareza interior.
Quando o avião levanta voo, o sul fica para trás, mas não se perde. Atravessámos um território que continua connosco muito depois de partir. Este é o verdadeiro final épico da viagem: não desaparecer, transformar-se.
Neste final um transfer levar-te-á ao aeroporto de Ushuaia, e daqui cada viajante pode escolher uma rota de regresso a casa.
Alimentação: Pequeno-almoço
Dormida: –
INCLUI
- Acompanhamento do líder Trilhos da Terra durante toda a viagem
- Transfers de aeroporto (dentro das datas do programa)
- Alojamento durante todo o programa
- Transportes locais durante o programa
- 14 Pequenos-almoços, 6 almoços
- Atividades mencionadas no itinerário
- Bilhetes de ferry no Estreito de Magalhães
- Passeio de barco no canal Beagle
- Entradas nos parques nacionais
- Aula de Tango
- Walking tour em Buenos Aires
- Entrada em Milonga
- Passeio de Barco de 1 dia no Parque de Los Glaciares (Perito Moreno)
- Visita à Reserva Pinguim Rei
- Jantar privado em casa de um habitante em El Calafate
- Almoço privado em casa de uma pescadora em Puerto Almanza
- Visitas guiadas nos Parques em El Chalten, Torres del Paine e Tierra Fuego
EXCLUI
- Voos internacionais (preço indicativo 1 300€)
- Alimentação não especificada
- Entradas em monumentos, visitas não especificadas e atividades extra
- Gratificações à equipa local
- Seguro pessoal obrigatório
- Extras pessoais, comunicações, etc.
- Voo interno para El Calafate (250€ aproximadamente). Este voo é tratado pela agência de modo a que o grupo vá junto. O voo será cobrado separadamente do valor restante.
Perguntas frequentes sobre esta viagem à Patagónia
Não. Os portugueses não precisam de visto. Basta teres um passaporte válido (mínimo 6 meses). A certa altura, vamos passar a fronteira terrestre entre os dois países mas o processo é simples e tratado no momento da passagem no local.
O verão austral (novembro a março) é a época adequada. Os dias são longos e as temperaturas amenas (5-20°C). E os parques estão acessíveis. Ainda que gostemos muito da paisagem patagónica no outono (finais de março, inícios de abril). Mesmo no verão, o vento patagónico é constante.
É fisicamente ligeira e acessível a todos. Só há uma caminhada verdadeiramente desafiante, com 22 km, e inclui a subida final à Laguna de los Tres (Fitz Roy). Esta é uma caminhada com 18 km que são super fáceis, e 2 km de subida íngreme e 2 km depois de descida. As restantes caminhadas são relativamente curtas e acessíveis a qualquer pessoa com mobilidade normal e que gostam de uma boa caminhada.
É essencial levar várias camadas de roupa. O vento e a variação térmica são constantes. Aconselhamos a levar casaco impermeável e corta-vento, camadas térmicas, botas de caminhada, gorro e luvas. Damos informações completas após a reserva.
O voo de Lisboa a Buenos Aires ronda as 14h-15h. Depois, o voo interno até El Calafate demora cerca de 3 horas. O voo internacional (~1.300€) e o interno (~250€) não estão incluídos, mas a agência trata do voo interno para o grupo viajar todo junto.
Sim! Muitos viajantes vêm sozinhos. Mas viajam na companhia um dos outros. Portanto, na verdade não está a viajar sozinha/o.
A fauna é abundante mas não conseguimos garantir nada. Os guanacos e os condores são quase certos quando estivermos em Torres del Paine. Para avistar pumas será preciso ter sorte (vamos passar pelo território deles). Os pinguins-rei são visitados na Reserva Pingüino Rey, na Terra do Fogo. E outros pinguins e lobos marinhos podem ser avistados no passeio de barco à Isla Martillo, perto de Ushuaia.
A ligação é grande. Foi Fernão de Magalhães quem revelou o estreito ao mundo e que hoje tem o seu nome. Nesta viagem, cruzamos o Estreito de Magalhães de ferry e seguimos, por momentos, a rota que o navegador português fez há 500 anos.

















